Os jargões que os crentes falam

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019


Vida cristã além dos jargões e clichês

 A vida cristã necessita ir além dos jargões e clichês que são produzidos e reproduzidos ao longo da história eclesiológica. Os jargões são terminologias técnicas ou dialetos comuns a uma atividade ou grupo específico, e são normalmente utilizados em grupos profissionais ou socioculturais. Nos guetos evangélicos não é diferente. Temos nossos jargões, expressões ou frases que são sempre utilizadas para aconselhar, confortar ou encorajar alguém. No entanto, esses jargões que utilizamos e falamos a torto e a direito por aí, não resolvem e nem sequer colaboram para a resolução dos problemas da vida moderna. 

 Os crentes adoram utilizar essas expressões para tratar dos problemas dos outros, mas têm certeza de que essas expressões de nada valem e sempre ficam irritados quando esses jargões são ditos a eles. Para bem da verdade, o grande problema desses jargões é que, em sua maioria, denotam a falta de profundidade teológica, as heresias e egoísmo presentes no ambiente evangélico. Particularmente, tenho um sério problema com os jargões evangélicos. É como se meu ouvido doesse cada vez que um jargão evangélico fosse pronunciado. É por isso que considero importante analisar e porque não criticar o absurdo que denotam alguns desses jargões evangélicos. Vamos lá!

“A oração é alavanca que move a mão de Deus”

 Também tem sua variação como sendo “a fé a alavanca que move a mão de Deus”. Esse jargão parece verdadeiro e inofensivo, mas basta uma análise um pouco mais minuciosa para ver como ele é falso e até satânico. Em primeiro lugar, se há algo que um ser humano possa fazer para que Deus se lembre ou faça algo em seu favor, isso anula a graça de Deus e exalta a meritocracia. Não é por causa de uma oração, um sacrifício ou uma oferta que Deus abençoa o homem. Ele o faz por causa da sua graça, da sua misericórdia e do seu amor. Em segundo lugar, esse jargão é herético uma vez que pressupõe uma posição estática em Deus. É praticamente como dizer que Deus está sentado, quase cochilando no trono, apenas esperando que alguém manifeste fé, para que ele aja em favor daquela pessoa. Oramos nunca para mover a mão de Deus, mas sempre para sermos por ela movidos. Deus não é relutante nem vagaroso em responder orações, muitas vezes Ele está apenas aperfeiçoando o nosso caráter.

“Tomar posse da benção”

 Isso é um típico jargão da confissão positiva, parte da teologia da prosperidade. É uma interpretação totalmente equivocada do texto de Hebreus 11, onde os teólogos dessa teologia sustentam que a benção deve ser visualizada e em seguida deve-se tomar posse da benção, que já foi concedida e está incubada ou arquivada, esperando apenas a movimentação do crente. Uma enorme heresia que não tem base nenhuma no antigo e muito menos no novo testamento. Você não precisa “tomar posse da benção”, afinal, “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). Ou seja, Ele é quem outorga poder.
 
“Buscar a face do Senhor”

 Esta é uma expressão complicada e ao mesmo tempo muito utilizada. É praticamente impossível alguém que seja cristão evangélico a mais de dois meses e nunca a escutou. Lembro-me de, certa vez, ter perguntado a um amigo neopentecostal como se fazia para buscar a face de Deus. Ele me explicou de uma maneira muito simples: “eu me tranco no quarto, coloco um louvor pra tocar e fico ali orando por horas se preciso for”. No final tive vontade de perguntar a ele: “e assim você consegue achar?”. Sinceramente, a leitura dos evangelhos nos mostra que Jesus deixou uma lição muito bonita e singela, de que a melhor maneira de buscar a face de Deus é olhando para o próximo. Se não descobrirmos a face de Deus no rosto de nossos familiares, amigos, irmãos, patrões, moradores de rua e etc., jamais a encontraremos dentro de nós ou em outro lugar. Deus não existe fora do outro. (Gênesis 33:10 – 1 João 4:20)

“O melhor de Deus ainda está por vir” 

 Eu não sei o quê esse povo ainda espera de melhor, sendo que Deus “não poupou a seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32b). O melhor de Deus é Jesus Cristo e, portanto, o melhor de Deus já veio. Muitos declaram/cantam essas palavras pensando em bênçãos terrenas, materiais e um conforto que ainda está por vir da parte de Deus, quando, na realidade, Deus já “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). O melhor de Deus já veio, Cristo Jesus, e se buscarmos nele alegria e satisfação, viveremos também contentes em toda e qualquer situação.

“Entrar na presença de Deus”

 Fico a pensar qual é o ser humano que não esteja na presença de Deus e que por isso seja necessário “adentrá-la”. Seria o ateu? O agnóstico? O muçulmano? Ou o crente que está em pecado? O que define isso? De onde arrancaram essa ideia? Se de fato cremos que Deus é onipresente, é evidente que tudo e todos estão na presença Dele.

“Dar base legal para o inimigo agir”

 “Cuidado, fazendo isso você vai estar dando base legal para o inimigo agir na sua vida!” Já perdi as contas de quantas vezes ouvi isso, exatamente assim, com todos os gerúndios que escrevi. Confesso que durante um breve tempo da minha vida tomei todos os cuidados para que minhas ações fossem sempre extremamente e moralmente corretas, para de maneira nenhuma dar brecha para o diabo. Até que finalmente compreendi que o sangue de Cristo me purifica de todo o pecado e mais, que toda maldição que veio ou poderia vir sobre minha vida foi cravada na Cruz. A suficiência da cruz de Cristo é a simples verdade que pode modificar nosso modo de viver.

 Com esses apontamentos, minha intenção não é ridicularizar ou menosprezar quem utiliza essas expressões. Na verdade, minha intenção é alertar para que de maneira nenhuma o nosso modo de seguir a Cristo se resuma a expressões vazias e sem sentido nenhum, mas sim que o dia a dia de discípulo se transfigure em espiritualidade voltada para o amor, a paz e a justiça do Reino de Deus. Insisto ao dizer que a vida cristã necessita ir além dos jargões e clichês que são produzidos e reproduzidos ao longo da história eclesiológica. Que vivamos todos os dias para honrar e glorificar o nome de Deus e para sinalizar o reino Dele de maneira efetiva no mundo!

Luciano Bruno
Minha Vida Cristã

Exemplificando a Triunidade de Deus

quarta-feira, 1 de agosto de 2018


 O que é a Triunidade de Deus? Uso a expressão triunidade por achar que esta é a mais adequada e mais fiel ao sentido que ela expressa. A palavra trindade significa: "grupo de três pessoas ou coisas semelhantes; trio". Já a palavra triunidade é a junção de tri (três) e unidade, ou seja, uma unidade em três! Então, por esse sentido, prefiro usar a expressão Triunidade, ao invés de Trindade, embora ambas representem a mesma coisa.

 Pai: Conhecido também como Jah, Yaweh, Jeová, Pai, e outros.
É o principal agente criador.

 Filho: Conhecido também como Jesus, Yeshua, Senhor, e outros.
É o principal agente redentor.

 Espírito Santo: Conhecido também como Ruach Hakodesh, Paracletos, Consolador, etc.
O Espírito Santo é o principal agente santificador.

 Em cada tarefa dessas (criação, redenção e santificação) uma das Três Pessoas foi o principal executor, mas as outras duas Pessoas também participaram de cada uma dessas três tarefas.

 Como explicar a Triunidade?
Existem diversos elementos na natureza que podem ilustrar a natureza triuna de Deus.

 Trevo de três folhas:

 Cada uma das folhas do trevo são independentes entre si, mas todas ligadas ao trevo. São três folhas, porém um só trevo. Um trevo de três folhas é, ao mesmo tempo, três folhas independentes entre si.

 Triângulo:

 Tem três lados distintos, mas é um só triângulo. O triângulo equilátero tem os três lados iguais. No caso do triângulo retângulo, os dois lados menores são chamados de cateto oposto, cateto adjacente, e o lado maior de hipotenusa. Ou seja, são três lados distintos, com nomes diferentes, mas formando um só triângulo. Tire um dos lados e a figura deixará de ser um triângulo.

 Água:

 Esse exemplo é o mais clássico de todos. A água pode se apresentar de três estados físicos diferentes: sólido, líquido e gasoso. O sólido (gelo) é a água, o líquido é a água, e o gasoso também é a água, mas não formam três águas, e sim três formas de um mesmo elemento. Os três estados é uma só água (H2O). Assim como não cremos em três Deuses, mas em três Pessoas que são Um só Deus.

 Sol:

 O Sol é visto e/ou sentido de três formas diferentes. Luz (visível e invisível), Gases e Calor. Vemos e somos atingidos pela luz do sol, sentimos o calor emanado por ele, e sabemos que nele existe a formação de gases. Mas esses três fatores não são mais de um Sol, e sim três formas de se perceber a presença de um só Sol.

 Assim é Deus. Pai, Filho e Espírito Santo não são mais de um Deus, mas Três Pessoas distintas que formam um único Deus, Todo-Poderoso.

Diego Rodrigo Souza
Creio No Amanhã
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Os Dons do Espírito Santo

segunda-feira, 4 de junho de 2018



Os Dons do Espírito Santo são capacidades espirituais que Deus concede com o propósito de edificar a Igreja de Cristo, por meio da instrução dos crentes e para ganhar novos convertidos. Os dons espirituais são também meios pelos quais o Espírito revela o poder e a sabedoria de Deus aos homens que o recebem e bem usam.

A palavra "dom" vem do grego charisma, que denota algo como "aquilo que é dado graciosamente". Como o batismo no Espírito Santo é um dom, assim também os dons espirituais são dádivas. Não existe uma lista completa dos dons, pois existem inúmeros dons, os que eu descrevi aqui são os mais conhecidos.

Dons Vocacionais (Romanos 12: 6, 8):

1. Ministério: É a disposição, capacidade e poder dados por Deus, para alguém servir a outras pessoas e prestar assistência prática a outros membros e aos líderes da igreja, a fim de ajudá-los a cumprir suas responsabilidades para com Deus (At 6: 2, 3).

2. Ensino: É a capacidade espiritual do crente de examinar e estudar a Palavra de Deus, e de esclarecer, expor, defender e proclamar as verdades bíblicas, de tal maneira que outras pessoas cresçam em graça e no conhecimento de Deus.

3. Exortação: É a capacidade dada por Deus do crente proclamar a Palavra de tal maneira que ela atinja o coração, a consciência e a vontade dos ouvintes, estimulando a fé e produzindo uma separação de todo o pecado. Portanto, é aconselhar, animar e encorajar.

4. Contribuição: Dividir, distribuir, repartir. É a capacidade e o poder dado por Deus para aqueles que tem recursos além das suas necessidades básicas da vida, para contribuir livremente com seus bens pessoais, para suprir a necessidade da obra ou do povo de Deus.

5. Liderança: Aquele que dirige e/ou preside. Capacidade dada por Deus para o obreiro pastorear, conduzir e administrar as várias atividades da igreja, visando o bem espiritual de todos.

6. Misericórdia: Sentimento doloroso causado pela miséria de outro. É ajudar, consolar e se compadecer das aflições e necessidades de outras pessoas.

7. Celibato (I Co 7: 7, 9): É a continência, abstinência sexual; são as pessoas que são realizadas e felizes com seu trabalho, amigos, família, lazer... Algumas profissões exigem mesmo que o indivíduo seja solteiro, livre das responsabilidades que o casamento e a família impõem, por isso Deus dá o dom do celibato. Para ilustrar essa ideia, o que será que aconteceria se o apóstolo Paulo fosse casado ou tivesse preocupações com sua esposa? Se esse fosse o caso de Paulo, isso iria limitar de alguma forma a sua liberdade de viajar pelo mundo pregando o Evangelho. O próprio Paulo diz que "o solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar o Senhor; mas o casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a mulher..." I Co 7: 32, 34.

Dons Ministeriais (Efésios 4: 11):

8. Apóstolos: O dom do apostolado não é mais dado por Deus aos homens, ainda que se levantem pessoas que se auto-proclamem apóstolos. O dom do apostolado era dado por Deus para alguns daqueles que tinham andado com Jesus antes de Sua morte, como os 12 apóstolos primitivos, ou terem visto Ele após a ressurreição, como no caso de Paulo. Além desses já citados, alguns outros também foram considerados apóstolos, como: Matias, que substituiu Judas Iscariotes, Barnabé e Silvano, entre outros. O próprio Deus deu-lhes o selo do apostolado, pois foi Ele mesmo quem os escolheu, permitindo que no ministério deles aparecessem os "sinais do apostolado" (II Co 12: 12).

9. Profetas: Segundo o livro de Atos (13: 1 e 15: 32), os profetas constituíam o ministério da Palavra de Deus, impulsionado por inspiração profética. Por meio dessa inspiração, esse ministério é acompanhado de edificação, exortação e consolação, que são evidências da operação do verdadeiro espírito da profecia (I Co 14: 3). Observamos, assim, que o simples uso do dom de profecia não faz de ninguém um profeta, pois profeta é um ministro da Palavra (At 21: 9, 10).

10. Evangelistas: Mensageiro de Boas Novas. O evangelista desempenha a obra de um missionário, levando o Evangelho a lugares onde ainda é desconhecido. A função do evangelista em primeiro lugar não é a de apascentar. Porém, quando abre trabalhos, ele os dirige e apascenta até entregá-los a um pastor, mas pode acontecer de uma mesma pessoa possuir mais de um dom ministerial.

11. Pastores:  Homens que apascentam e dirigem o rebanho. Serve sob a direção do Bom Pastor, a quem pertence a Igreja (I Pd 5: 2, 4).

12. Doutores: Os doutores ou mestres são os ensinadores (I Co 12: 28). No tempo dos apóstolos, esse ministério era apoiado pelos dons da palavra de sabedoria e ciência.

Dons Espirituais (I Coríntios 12: 8 - 10):

13. Palavra de Sabedoria: Esse dom proporciona, pela operação do Espírito Santo, uma compreensão da profundidade da sabedoria de Deus, ensinando a aplicá-la, seja no trabalho, seja as decisões no serviço do Senhor, e a expô-la a outros, de modo a ser bem entendida.

14. Palavra de Conhecimento: Esse dom consiste em penetração nas profundezas da ciência de Deus, pelo qual podemos saber e, assim, compreender aquilo que, pelo entendimento humano, jamais poderíamos alcançar. Enquanto do dom da palavra de conhecimento penetra nas profundezas da ciência de Deus, o dom da palavra de sabedoria nos faz aptos a expô-la com palavras que o Espírito Santo ensina.

15. Discernimento de Espíritos: O portador desse dom recebe, pelo Espírito Santo, como num laudo, o resultado de uma análise vinda de Deus sobre a qualidade exata do espírito que inspira e opera em determinadas pessoas. Esse dom revela a fonte de onde vem a inspiração das profecias e revelações, pois elas podem vir de inspiração divina, podem representar o pensamento do coração daquele que as apresenta, ou podem ser de origem demoníaca. Esse dom é uma proteção divina, pela qual a Igreja fica guardada das más influências.

Dons de Poder:

16. Curar: A cura do corpo doente pela fé é um fruto da morte de Cristo na cruz, mas o dom de curar é diferente. O dom de curar consiste em uma operação do Espírito Santo direta e imediata. Esse dom não significa uma capacidade de curar quando e como a pessoa quer, porém é sempre uma transmissão de poder do Espírito Santo.

17. Operação de Maravilhas: Esse dom constitui uma operação do Espírito Santo pela qual é transmitido poder ilimitado de Deus. Esse dom se manifestou por toda a Bíblia e ainda hoje, embora devemos ter cuidado com os atuais charlatões.

18. Fé: Esse dom não se refere a fé salvífica, mas consiste em um impulso a fé implantada por Deus em nós. Esse dom em ação gera uma atmosfera de fé, que nos dá convicção real de que agora tudo é possível (Jo 11: 40, 44; Mc 9: 23).

Dons de Inspiração (Elocução) (I Coríntios 14):

19. Variedade de Línguas e 20. Interpretação de Línguas: Sobre esses dois dons, tão debatidos hoje em dia, postei um estudo específico aqui: Dons de Línguas e Interpretação.

21. Profecia: Profecia é uma mensagem de Deus dada ao portador do dom por inspiração do Espírito Santo. A pessoa deve transmiti-la exatamente como a recebeu. A mensagem recebida não é transmitida de maneira mecânica, mas fiel e consciente, pois "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (I Co 14: 32). No momento em que a profecia é transmitida, não é Deus quem está falando, mas é o homem que está reproduzindo o que recebeu de Deus. Se fosse o próprio Deus falando, não haveria necessidade de se julgar a profecia, como está ordenado que se faça (I Ts 5: 21 / I Co 14: 29). A profecia não deve ser fonte de consulta ou meio de obter direção, seja na vida espiritual, ou na vida material, como alguns charlatões andam pregando por aí.

Esses são os dons mais conhecidos, em breve postarei um estudo sobre os dons de variedade de línguas e interpretação de línguas. Espero que tenham gostado desse resumo sobre os dons.

Diego Rodrigo Souza
Creio No Amanhã